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Janelas de guilhotina e janelas antigas de madeira: restaurar ou trocar?

Reparar, vedar, pôr uma segunda janela ou trocar? O que são as janelas de guilhotina, o que a lei diz em imóveis classificados e zonas de proteção, e o que perguntar antes de decidir.

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23/10/2026
Fotografia anexa

Numa casa antiga, a janela de madeira é muitas vezes parte do desenho da fachada. Também deixa passar ar e dá trabalho a pintar. Este guia explica o que é uma janela de guilhotina, o que se pode fazer sem a trocar, quando a troca faz sentido e o que perguntar à câmara antes de mexer.

O que é uma janela de guilhotina

A janela de guilhotina (também chamada de corrediça) abre a deslizar na vertical: as folhas correm dentro de um aro fixo de madeira, que serve de calha. Segundo uma dissertação da Universidade Lusófona do Porto (2015), difundiu-se em Portugal a partir do século XVIII e terá vindo com os ingleses instalados no Porto depois do tratado de Methuen, de 1703.

Outra dissertação, da Faculdade de Engenharia do Porto (2020), mostra janelas de peito de guilhotina na «casa burguesa» do Porto, ao lado de janelas de batente com portadas de madeira por dentro. Que a guilhotina seja tão típica em Lisboa como no Porto não consegui confirmar.

Primeiro: pode mexer na janela?

O Decreto-Lei n.º 108/2026 (Diário da República, 29 de maio de 2026) diz o seguinte:

  • Imóvel classificado ou em vias de classificação: as obras de conservação e de alteração precisam de licença (artigo 4.º, n.º 2, alínea d). A isenção de trocar caixilhos não se aplica (artigo 6.º-A, n.º 2).
  • Zona de proteção de um imóvel classificado: a alteração exterior precisa de licença, salvo a troca de caixilhos prevista no artigo 6.º-A, n.º 1, alínea j.
  • Troca isenta: caixilhos que promovam a eficiência energética, com a mesma geometria e acabamento exterior idêntico ao original.

O mesmo diploma define «obras de alteração» como as que mudam as características físicas ou estéticas do edifício, incluindo «a natureza e cor dos materiais de revestimento exterior, nos quais se incluem as portas e janelas» (artigo 2.º, alínea d). Uma janela de guilhotina de madeira por uma de abrir em PVC dificilmente é, por isso, uma troca «igual». Veja o guia sobre trocar as janelas. Em zonas históricas de Lisboa e do Porto, não consegui ler as regras de cada município: pergunte à câmara.

Restaurar: o que a literatura de conservação diz

Os dois documentos mais úteis que li são de fora ou académicos, não são regras portuguesas.

A Historic England (Inglaterra, guia de junho de 2018) diz que janelas históricas de desenho tradicional costumam contribuir para a importância do edifício, que devem ser mantidas e reparadas sempre que possível e que, se não tiverem arranjo, devem ser trocadas por cópias exatas. Também diz que raramente a troca completa fica mais barata do que reparar e melhorar, e que mesmo janelas muito negligenciadas costumam recuperar-se com relativa facilidade.

A tese da Faculdade de Engenharia do Porto distingue «restauro» (reparar com técnicas e materiais antigos) de «restauro com melhoria» (técnicas antigas, materiais modernos), e lembra que a madeira nova pede manutenção regular, com custo considerável.

Melhorar sem trocar

Solução O que faz Cuidados (fonte)
Reparar e repintar Repõe peças podres, vidros e massa Escolher madeira da mesma espécie, seca e tratada (FEUP, 2020)
Vedar as frestas Menos correntes de ar Barata e discreta. Fazer antes as reparações necessárias (Historic England)
Segunda janela por dentro Menos ar e menos perda de calor, também pelo caixilho Tem de abrir bem para ventilar. Não vedar as frestas da janela principal: o espaço entre as duas fica ventilado pelo ar de fora e há menos risco de condensação (Historic England)
Trocar o vidro por duplo fino Melhora o vidro Não reduz as correntes de ar nem a perda pelo caixilho. O vidro antigo, feito à mão, vale a pena guardar. O vidro duplo fino gasta muita energia a fabricar e dura menos, e o de vácuo é caro (Historic England)
Portadas e cortinas As portadas interiores reduzem a perda de calor São parte do desenho da casa portuense (FEUP; Historic England)

Para a condensação, veja o guia e a ventilação. Se pensa em segundo vidro, o guia do vidro duplo explica os termos.

Quando faz sentido trocar

  • A madeira podre chegou ao aro, ou o aro e a folha estão empenados.
  • A reparação sai tão cara como a janela nova (peça os dois preços).

Se trocar, a tese do Porto diz que é imprescindível manter o desenho original, em madeira ou noutro material. Propõe, como hipótese, alumínio ou PVC lacado a imitar madeira, «não esquecendo de verificar a espessura de perfis». É uma proposta de estudo, não uma regra. Quanto a janelas de guilhotina feitas em PVC, não consegui ver nenhuma ficha de fabricante. Para o alumínio, veja o guia das janelas de alumínio com corte térmico.

O que pedir

  1. Dois orçamentos: reparar e trocar. Peça o desenho, o material e a cor por escrito.
  2. Ao carpinteiro: que madeira, que pintura, que vedação, e se o vidro pode mudar sem perder as peças originais.
  3. À câmara: o edifício é classificado ou está em zona de proteção? Há regras locais de caixilharia? Guarde a resposta.
  4. Ao condomínio, se é apartamento: a cor e o desenho podem exigir assembleia. Veja o guia.

O que não consegui confirmar

  • As regras de cada câmara para caixilharia em zonas históricas (Lisboa, Porto, outras).
  • Se a guilhotina é tão típica em Lisboa como no Porto.
  • O guia «Traditional Windows» da Historic England: li só a nota de 2018 «How to Improve Energy Efficiency».
  • Se existem janelas de guilhotina em PVC certificadas à venda em Portugal.

Fontes

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